Lutas e conquistas marcam aniversário da Polícia Penal
14/11/2022 - 13:39

Considerada uma das profissões mais antigas do mundo, o então agente de reclusão que passou a ser chamado de agente penitenciário teve um papel fundamental no cumprimento dos direitos previstos na lei de execução penal. 


Desenvolvendo atividades como vigilância, escolta e fiscalização dos custodiados, zelando pelo bem-estar, integridade física, moral e mental deles; também zela pela ordem nos estabelecimentos penais, manutenção da disciplina nas unidades prisionais.


Se mostra como dispositivo de potência com a finalidade de reduzir a reincidência das pessoas privadas de liberdade (PPL) através de um tratamento penal adequado.


O trabalho no cárcere passou por muitas mudanças, e no decorrer do tempo, ampliou-se em debates, visões, ações e medidas para valorização e o fortalecimento da categoria.


A ideia sempre foi provocar para ser notado, a fim de gerar uma conscientização coletiva de que só é possível alcançar a verdadeira ressocialização se o ambiente como um todo for compatível com o propósito de garantir a dignidade humana.


Buscando desmistificar o estigma de opressor e provocando reflexões e mudanças nas maneiras de olhar para a categoria de uma forma mais humanizada.


Atuando em um ambiente muitas vezes propício ao adoecimento, suas realidades são marcadas por muitas fragilidades e singularidades de um cenário construído através de muita muita luta. 


Hoje pode-se dizer que a classe alcançou notoriedade. Que não se assemelha há cerca de 30 anos, onde ocupavam um lugar de invisibilidade socialmente.


Notoriedade essa, promovida por meio da união e da persistência, preponderantes para potencializar os resultados alcançados, servindo como uma ferramenta frente ao fortalecimento de toda categoria.

 

Entre inúmeras conquistas, destaca-se a criação da Polícia Penal, transformando em policiais penais os antigos agentes penitenciários. E a regulamentação da carreira no estado através da Lei Complementar 245/22 que criou o Quadro Próprio da Polícia Penal (QPPP). 

Marco que ocorreu através de muita luta e articulação dos próprios policiais penais, que apenas almejam reconhecimento num espaço que já ocupam há centenas de anos. 


Perante tantas adversidades, em algum momento é possível que se tornaram descrentes de seu verdadeiro potencial , hoje resgatados com a realidade da Direção Geral da Polícia Penal e dos estabelecimentos prisionais serem administrados por policiais penais.


“É uma honra para a categoria ter a frente da instituição um policial penal, pois além de competência temos um conhecimento aprofundado de como funciona a rotina de trabalho em um ambiente prisional. Isso é resultado de muita luta que nos trouxe a valorização” comemora o Diretor Geral da Polícia Penal Osvaldo Messias Machado.


Conquista que também é pontuada por um dos policiais penais mais antigos na ativa, Clayton Agostinho Auwerter, que acompanha toda essa evolução há mais de 28 anos.


“Impossível, após tantos anos, não olhar para trás sem fazer uma breve retrospectiva sobre todo o avanço da nossa categoria. A busca constante pela excelência na rotina penitenciária, passando por quebras de paradigma, além de árduos e penosos embates que possibilitem construir e organizar uma nova instituição, são apenas alguns dos aspectos que determinaram os últimos tempos, em nosso estado. Assim, feliz pela etapa que presencio e com a qual contribuí, tenho uma expectativa muito boa para os próximos 28 anos”. 

Outro ponto de destaque foi a implantação da Divisão de Operações de Segurança - DOS que em  2013 iniciou com 35 policiais penais e hoje ultrapassa 300 servidores no estado do Paraná. Garantindo mais segurança e tranquilidade aos policiais penais e as pessoas privadas de liberdade (PPL).


“No início a dificuldade era imensa, não tínhamos equipamentos necessários, apoio e credibilidade. Em virtude de muito trabalho e a necessidade de um olhar mais atento às questões de segurança, a divisão cresceu e recebeu ao longo destes 9 anos viaturas, armamentos, bem como treinamento especializado. O Setor de Operações Especiais passou de uma base física em 2013 para 8 bases em todo estado. Para mim é uma honra fazer parte de tudo isso”. aponta o primeiro Comandante da DOS em 2013 Sandro Henrique Campos 


E num ambiente majoritariamente ocupado por homens, pela primeira vez a Coordenação de uma Regional tem a frente uma mulher, mesmo ainda existindo vieses implícitos relacionados ao gênero este retrato tem mudado, e agora com uma voz e traços de liderança que atua em igualdade. 


“Fazer parte de toda essa transformação é uma responsabilidade imensa, especialmente por representar as mulheres dentro da Polícia Penal. Mulheres fortes, preparadas, que encaram desafios diários dentro de um sistema predominantemente masculino e tipicamente machista. Apesar de sermos minoria, vejo que temos conquistado espaços importantes. E que eu possa servir de inspiração e abrir portas para outras mulheres ocuparem cada vez mais espaço dentro da Polícia penal ``. conclui a policial penal Juliana Heindyk.


Com uma nova perspectiva em relação ao futuro, almejando alcançar lugares nunca antes imaginados, atuando com equidade das forças de segurança pública e fortalecendo suas próprias identidades, os policiais penais  que outrora  atuavam como figurantes, hoje se tornaram protagonistas de suas histórias.

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