Projeto Literatura e Liberdade transforma leitura em instrumento de reintegração no Complexo Social de Maringá 06/01/2026 - 14:14

Em funcionamento desde novembro de 2024, o projeto Literatura e Liberdade tem se consolidado como uma importante iniciativa do Complexo Social de Maringá ao unir educação, cultura e reintegração social no cumprimento de penas alternativas. Desenvolvido em parceria com o curso de Letras da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e com a Vara de Execuções Penais de Maringá (VEP), o projeto oferece a leitura literária como forma de Prestação de Serviço à Comunidade (PSC) para pessoas em cumprimento de medidas penais.

A proposta é executada pela Central Integrada de Alternativas Penais (CIAP) e busca integrar a literatura ao processo de responsabilização penal, promovendo desenvolvimento intelectual, reflexão crítica e ampliação do repertório cultural dos participantes. Ao estimular o contato com obras literárias, o projeto também contribui para democratizar o acesso à leitura, compreendida como um direito fundamental e uma ferramenta efetiva de transformação social.

Para o coordenador regional da Polícia Penal do Paraná em Maringá, Júlio César Vicente Franco, o projeto reforça o papel da educação no processo de reinserção social. “O Literatura e Liberdade é uma iniciativa estratégica que alia cultura e educação ao cumprimento de penas alternativas, promovendo reflexão, responsabilidade social e novas perspectivas de cidadania para os participantes”, afirmou.

A policial penal Soraia Ishimatsu Moriyama, responsável pelo CIAP, afirma que o Projeto Literatura e Liberdade é uma das ações mais relevantes já concretizadas no Complexo Social de Maringá. Embora não tenha participado da implantação inicial da iniciativa, ela destaca sentir-se lisonjeada por poder acompanhar os resultados do trabalho desenvolvido ao longo do tempo. “É muito gratificante ouvir dos prestadores de serviço à comunidade que a dinâmica aplicada consegue conectar a teoria e a realidade, oportunizando discussões relevantes que contribuem para o crescimento intelectual de cada um”, ressaltou. Segundo Soraia, para muitos participantes, a vivência no projeto deixou de ser apenas o cumprimento formal de uma pena, transformando-se em uma experiência prazerosa e significativa.

Um dos idealizadores do projeto, o professor Dr. Ricardo Augusto de Lima, do curso de Letras da UEM, destaca como principal diferencial o fato de a iniciativa ter nascido em sala de aula, a partir do interesse de alunas em desenvolver uma ação de impacto social aliada ao diálogo com o Complexo Social de Maringá. “Entre novembro de 2024 e novembro de 2025, o projeto atendeu 49 pessoas, com 38 participantes diretos atualmente, organizados em grupos de Ensino Fundamental e Ensino Médio. Ao longo do período, foram realizadas 330 horas de atividades, distribuídas em encontros presenciais quinzenais. Além de possibilitar a conclusão de demandas de PSC, a iniciativa promoveu a produção de textos críticos e literários e envolveu uma equipe multidisciplinar de estudantes da UEM”, explicou. 

A metodologia do projeto é fundamentada em referenciais teóricos consagrados da área da educação e da literatura, como Antônio Cândido, Teresa Colomer e Isabel Solé. As obras selecionadas têm como objetivo despertar o prazer pela leitura, estimular o pensamento crítico e favorecer a construção de novas perspectivas de vida a partir do contato sistemático com a literatura. 

Impacto e resultados do projeto - Um dos assistidos pelo projeto já escreveu três livros e se prepara para lançar o quarto, evidenciando o potencial transformador da iniciativa. As obras abordam o enfrentamento da violência escolar e doméstica, com enfoque prático e educativo, especialmente voltado aos profissionais da educação.

De acordo com o assistido, os encontros do projeto Literatura e Liberdade vão além da leitura. “O debate enriquece porque as pessoas estão ali para compreender como funciona a vida em comunidade, como a lei atua e qual é o limite entre estar à margem e caminhar dentro da legalidade. Se alguém chega com uma visão distorcida, o projeto acaba trazendo essa pessoa para a realidade”, relatou. Ele também ressalta a profundidade gerada pela diversidade de temas e vivências. “As discussões sempre passam pelo que eu penso, pelo que o outro acredita e pela vivência de cada um. Há um encontro psíquico muito bem construído, algo que, talvez, nem os acadêmicos imaginassem quando propuseram o programa”, afirmou.

Nos livros, o autor oferece ferramentas para que professores identifiquem sinais de violência vivenciados por crianças e adolescentes, orientando uma atuação sem julgamentos e com o acionamento responsável da rede de proteção, integrando escola, assistência social e demais órgãos. A proposta inclui a mediação da assistência social junto às famílias, por meio de palestras e ações educativas apresentadas como apoio ao desenvolvimento dos estudantes, buscando romper ciclos de violência que comprometem a trajetória escolar.

O segundo livro aprofunda o tema como um guia técnico para educadores, com orientações objetivas, métodos e estratégias pedagógicas para o trabalho cotidiano sobre violência infantil. Já o terceiro reúne depoimentos e experiências reais do autor, filho de professora e criado em ambiente educacional, especialmente em cidades pequenas, dando origem a um projeto mais amplo de combate à violência doméstica e promoção de escolas mais seguras e acolhedoras.

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    Foto: Polícia Penal do Paraná

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