Setor de Operações Especiais da Polícia Penal em Maringá comemora dez anos 26/11/2025 - 16:48
Nesta segunda-feira (24), no auditório da Biblioteca Central da Universidade Estadual de Maringá (UEM), o Setor de Operações Especiais (SOE) da Polícia Penal do Paraná (PPPR) celebrou dez anos de atuação em Maringá, em solenidade que reuniu autoridades, familiares e convidados. Criado em 2015 após uma rebelião na Cadeia Pública de Paranavaí, o grupo superou a limitação de estrutura para se consolidar como referência em intervenção prisional, disciplina e pacificação.
O SOE Maringá surgiu em um dos momentos mais críticos do sistema prisional paranaense. Após a citada crise em Paranavaí, uma nova força de intervenção foi montada às pressas para restabelecer a ordem e impedir novos episódios de violência. A tropa permaneceu no local por seis meses, experiência que marcou profundamente a identidade e a missão dos operadores.
A atuação bem-sucedida gerou um divisor de águas. O Governo do Estado decidiu estruturar uma base permanente do SOE dentro do Complexo Penitenciário de Maringá, na Penitenciária Estadual de Maringá, garantindo um ponto estratégico para respostas rápidas às demandas regionais. O primeiro chefe de base foi Luciano Brito, responsável pela formação inicial da equipe, que começou com 16 operadores e hoje conta com 30 servidores altamente especializados.
O SOE Maringá atua em 17 unidades prisionais do Estado, sendo 14 cadeias públicas, duas penitenciárias e um regime semiaberto. A tropa é acionada para situações de crise, controle de distúrbios, escoltas de alto risco e contenção de motins, sempre com preparo tático e precisão operacional. Os operadores realizam treinamentos constantes com forças coirmãs, como Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Municipal, aprimorando protocolos, integração e nível técnico.
Para o coordenador regional da PPPR em Maringá, Júlio César Vicente Franco, a trajetória do grupo é marcada por superação. “O SOE nasceu como um grupo seleto e especial da Polícia Penal, criado com muitas dificuldades, que tinha pouca condição de combater, mas que hoje conquistou o seu espaço. No início, o SOE Maringá fazia as rondas com uma Kombi com as portas abertas e com uma espingarda calibre 12”, destacou. O coordenador regional também revelou que, no início, muitos servidores custeavam por conta própria suas formações em cursos e aprimoramentos.
“Mesmo em condições improvisadas no começo de sua história, o SOE já era respeitado e, com o passar do tempo, o grupo evoluiu a ponto de se tornar essencial no sistema prisional. Passou a ser o braço forte da Polícia Penal, dando essa resposta para a sociedade. E a cada princípio de motim, o SOE está lá de prontidão”, afirmou Júlio. O coordenador regional da PPPR também destacou que o papel da tropa ultrapassa o uso da força: “O SOE não é só força física e disciplina. O grupo traz a paz só pelo fato de existir”, acrescentou.
O atual chefe do SOE em Maringá, César Augusto Pessoa, reforça que o momento deve ser de reconhecimento e memória. “A comemoração é essencial para reconhecer e valorizar todos aqueles que iniciaram este projeto e, igualmente, os que continuam, dia após dia, desempenhando um trabalho árduo em prol da sociedade, muitas vezes sem receber o devido reconhecimento”, afirmou. César também destaca o legado da tropa: “Em uma data tão significativa quanto esta, rendemos homenagem a cada profissional que dedicou e segue dedicando seu esforço, sua coragem e seu compromisso para que este setor continue cumprindo sua missão com excelência. Celebrar 10 anos é honrar uma trajetória de conquistas, sacrifícios e dedicação que engrandece a segurança pública e inspira futuras gerações”, declarou.
O diretor de segurança penitenciária da PPPR, Marcos Antonio de Paula, que já integrou o SOE de Curitiba e acompanha de perto a atuação do grupo, reforçou a evolução técnica e institucional da tropa. Segundo ele, superação e profissionalismo definem a história construída em Maringá. “O SOE nasceu com uma estrutura simples, poucos recursos, mas com uma proposta gigante, nasceu para elevar o nível de atuação da Polícia Penal do Paraná. Ao longo dos anos, houve uma transformação profunda da Polícia Penal em capacitação e principalmente em consciência profissional. Hoje somos uma força organizada, respeitada e essencial para a segurança pública”, enfatizou.
O juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Fábio Bergamin Capela, enfatizou durante o evento o nível de profissionalismo e expertise da tropa. “Vocês estão de parabéns. É uma equipe especializada. Cada vez tem menos espaço para amadorismo. Uma equipe como a de vocês conhece as unidades como ninguém”, disse.
O reconhecimento institucional também vem das forças de segurança parceiras. O coronel Nogueira, da Polícia Militar de Maringá, destacou durante a cerimônia que acompanhou grande parte da trajetória do SOE. “É uma alegria estar presente nessa cerimônia. Permita-me um relato a partir da Polícia Militar: boa parte dessa história eu acompanhei. Nós vimos vocês nascerem na Escola de Formação, Aperfeiçoamento e Especialização de Praças (Esfaep) da Polícia Militar do Paraná e hoje vocês são instrutores junto com a gente. Eu vi desabrochar a Polícia Penal e o SOE e a consolidação dessas forças. Os agentes penitenciários da época estavam à mercê do crime. Conquistar o que vocês conquistaram é gigantesco. Vocês têm todo o meu respeito”, afirmou.

































